Jeniffer Caetano

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Um tour de force sci-fi

In Uncategorized on março 20, 2011 at 10:09 pm

Olivia, Bolivia, Olivia achando que era Bolivia, Olivia fingindo ser Bolivia, Bolivia fingindo ser Olivia, Bellivia…  Essas são algumas das personagens que Anna Torv interpretou no terceiro ano de Fringe. Daquela atriz até certo ponto fraca da primeira temporada, a australiana transformou-se em uma força constante responsável por mover a série. Se ela não estivesse no nível que a tarefa exigia, provavelmente, Fringe sucumbiria. No entanto, a atuação dela durante essa temporada é nada menos do que brilhante.

A cada episódio fica mais incrível a capacidade de Anna de modificar-se e adicionar camadas extremamente sutis para cada uma das suas múltiplas personalidades. As diferenças no olhar, no tom de voz e na forma de gesticular são tão impressionantes que eu sou capaz de dizer que ela é a atriz mais subestimada da televisão norte-americana. Hell, a mulher é capaz de passar de uma personagem para outra em uma mesma cena e, mesmo com 5 segundos de atuação, dá para perceber exatamente quem estamos vendo e o que essa pessoa está sentindo.

Como se tudo isso não bastasse, ela ainda consegue transformar o Joshua Jackson em um ator aceitável em cenas como a do vídeo acima. É pouco?

Ano passado, o mimimi entre os fãs da série por uma indicação do estupendo John Noble as premiações foi gigante. Esse ano, será totalmente injusto se o nome da australiana não for para a lista do choro público.

Para mim, Fringe faz uma grande temporada. Mesmo assim, consigo entender algumas criticas que surgem entre os espectadores. No entanto, acho que não existe nenhuma dúvida que, independente da qualidade da série, Torv tem sido um highlight constante.

Todos sabem o grande preconceito que séries sci-fi sofrem nas premiações. Uma indicação para ela seria quase um sonho.  No entanto, como diz Bellivia, “stranger things have happened”.

Quebrando o encanto

In Uncategorized on novembro 23, 2010 at 11:53 pm

Glee causou forte impacto em mim desde o piloto. Lembro que quando assisti o episódio tive a sensação imediata de que estava diante de algo diferente, uma série que não poderia ser comparada a mais nada na televisão. A mistura de musical e humor-negro no High School, dois “gêneros” que eu sou apaixonada, me fisgaram de cara.

A primeira parte da primeira temporada transformou esse namorico em paixão. Mesmo que, em alguns momentos, a série tenha se tornado algo um pouco diferente do que eu imaginava que ela seria, eu continuava vendo nela algo de muito especial. Claro, não era um programa perfeito, mas era o que me fazia mais feliz entre os vários que eu assistia.

Veio a segunda parte da temporada e alguns problemas surgiram. A série começou a patinar nas histórias, criar tramas sem sentido e episódios que pareciam completamente desconexos um do outro. Não que os 13 primeiros capítulos tenham sido um exemplo de coesão (vamos combinar que as únicas tramas que persistiram durante todo esse período foram as gravidezes de Quinn e Terry), mas os 9 últimos episódios tinham ainda menos ritmo. Mesmo assim, me diverti e gostei de alguns capítulos.

Depois das reclamações quanto às mudanças ocorridas, o segundo ano de Glee chegou com a promessa dos produtores de que a série voltaria as suas origens. Confesso que entrei cheia de esperanças.

O “novo ano” começou e a situação só piorou. Ao final cada episódio, eu sentia essa frustração uma frustração. Passei a achar que o problema era meu e não da série. Afinal, eu estou em uma fase meio crítica demais. Até largar Gossip Girl, que sempre foi uma porcaria, mas eu sempre aguentei, eu larguei. No entanto, por acaso, descobri o que acabou com a minha paciência.

Domingo de noite, estava eu procurando algo descente para ver. Paro na Fox e eles estão reprisando “Ballad”. Esse nem é um dos meus episódios favoritos, mas eu parei para assistir. Tudo ia muito bem: Finn cantando para o ultra-som continua sendo estúpido, Finn cantando para a Quinn sobre o bebê na frente da família dela é mais estúpido ainda, a história da Rachel com o Schue ainda é bestinha, mas divertida (todo mundo sabe que eu adoro crazy Rachel), Yada yada yada yada.

Daí, chegou a última cena. Para quem não assistiu, o clube canta a bonitinha, mas meio brega, Lean On Me para Finn e Quinn. O número é super simples, não tem grandes coreografias, não tem grandes efeitos especiais, mas diz muito sobre a história, sobre a série e sobre o que eu realmente sinto falta nela.

Sempre achei que o problema era a falta de constância, de boas histórias e de desenvolvimento descente dos personagens. No entanto, isso a série nunca teve. O que ela perdeu foi coração. Sim, essa é a frase mais clichê que eu poderia usar, mas é a única forma que eu consigo explicar a situação. Antes, assim como o New Directions, Glee era o “little show that could”. Uma série que tinha tudo para dar errado, mas deu certo, porque conseguiu uma coisa que é tão ou mais importante do que bons roteiros. Ela arrebatou a simpatia do público.

Lembra quando o ND cantava Lean On Me e Mercedes arrasava com And I’m Telling You na sala de aula? Sabe aquela época que eles apresentavam Keep Holding On e Don’t Stop Believin’ no teatro velho da escola e usavam nas apresentações roupas que eles podiam muito bem ter guardadas em casa? Agora, eles têm dinheiro para fazer chover dentro do mesmo auditório com todo o elenco vestido com roupas, aparentemente, caríssimas!

Não sou uma daquelas pessoas que param de gostar de uma banda/filme/série/livro porque virou famoso/famosa. Mas no caso de Glee, para mim, isso tirou a alma do programa. Assistir um ou outro episódio que saia da casinha e viaje com super produções é divertido (eu adoro o capítulo especial da Madonna). Ver isso toda a semana não é.

Agora eu entendo porque “Duets” é o meu episódio favorito desse ano. Pois ele balanceia as histórias, com as músicas, os números grandiosos (como o do Kurt), com os singelos e tocantes (como o da Rachel e do Kurt). Isso que eu nem falei da maravilha que foi Santana e Mercedes destruindo em uma apresentação que não precisou nada além de uma banda e da presença das duas.

Roteiros fracos, clichês e falta de coesão eu aguento. Falta de coração, aparentemente, não.

PS: Como eu não sou masoquista, resolvi não citar as milhares de coisas que eu odeio nessa segunda temporada e na série. Mas, pelo texto já dá para imaginar que eu não sou a maior fã de histórias que envolvem um after school special a cada dois episódios. Quando Glee não se leva a sério, até dá para aguentar o absurdo, mas eu não consigo ignorar as falhas quando eles querem dar lição de moral.

PS²: Sim, eu sei que esse é o post mais mimimi, cuticuti e clichê que eu já escrevi. Vai dizer que tem alguma coisa que combina mais com Glee?