Jeniffer Caetano

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Quebrando o encanto

In Uncategorized on novembro 23, 2010 at 11:53 pm

Glee causou forte impacto em mim desde o piloto. Lembro que quando assisti o episódio tive a sensação imediata de que estava diante de algo diferente, uma série que não poderia ser comparada a mais nada na televisão. A mistura de musical e humor-negro no High School, dois “gêneros” que eu sou apaixonada, me fisgaram de cara.

A primeira parte da primeira temporada transformou esse namorico em paixão. Mesmo que, em alguns momentos, a série tenha se tornado algo um pouco diferente do que eu imaginava que ela seria, eu continuava vendo nela algo de muito especial. Claro, não era um programa perfeito, mas era o que me fazia mais feliz entre os vários que eu assistia.

Veio a segunda parte da temporada e alguns problemas surgiram. A série começou a patinar nas histórias, criar tramas sem sentido e episódios que pareciam completamente desconexos um do outro. Não que os 13 primeiros capítulos tenham sido um exemplo de coesão (vamos combinar que as únicas tramas que persistiram durante todo esse período foram as gravidezes de Quinn e Terry), mas os 9 últimos episódios tinham ainda menos ritmo. Mesmo assim, me diverti e gostei de alguns capítulos.

Depois das reclamações quanto às mudanças ocorridas, o segundo ano de Glee chegou com a promessa dos produtores de que a série voltaria as suas origens. Confesso que entrei cheia de esperanças.

O “novo ano” começou e a situação só piorou. Ao final cada episódio, eu sentia essa frustração uma frustração. Passei a achar que o problema era meu e não da série. Afinal, eu estou em uma fase meio crítica demais. Até largar Gossip Girl, que sempre foi uma porcaria, mas eu sempre aguentei, eu larguei. No entanto, por acaso, descobri o que acabou com a minha paciência.

Domingo de noite, estava eu procurando algo descente para ver. Paro na Fox e eles estão reprisando “Ballad”. Esse nem é um dos meus episódios favoritos, mas eu parei para assistir. Tudo ia muito bem: Finn cantando para o ultra-som continua sendo estúpido, Finn cantando para a Quinn sobre o bebê na frente da família dela é mais estúpido ainda, a história da Rachel com o Schue ainda é bestinha, mas divertida (todo mundo sabe que eu adoro crazy Rachel), Yada yada yada yada.

Daí, chegou a última cena. Para quem não assistiu, o clube canta a bonitinha, mas meio brega, Lean On Me para Finn e Quinn. O número é super simples, não tem grandes coreografias, não tem grandes efeitos especiais, mas diz muito sobre a história, sobre a série e sobre o que eu realmente sinto falta nela.

Sempre achei que o problema era a falta de constância, de boas histórias e de desenvolvimento descente dos personagens. No entanto, isso a série nunca teve. O que ela perdeu foi coração. Sim, essa é a frase mais clichê que eu poderia usar, mas é a única forma que eu consigo explicar a situação. Antes, assim como o New Directions, Glee era o “little show that could”. Uma série que tinha tudo para dar errado, mas deu certo, porque conseguiu uma coisa que é tão ou mais importante do que bons roteiros. Ela arrebatou a simpatia do público.

Lembra quando o ND cantava Lean On Me e Mercedes arrasava com And I’m Telling You na sala de aula? Sabe aquela época que eles apresentavam Keep Holding On e Don’t Stop Believin’ no teatro velho da escola e usavam nas apresentações roupas que eles podiam muito bem ter guardadas em casa? Agora, eles têm dinheiro para fazer chover dentro do mesmo auditório com todo o elenco vestido com roupas, aparentemente, caríssimas!

Não sou uma daquelas pessoas que param de gostar de uma banda/filme/série/livro porque virou famoso/famosa. Mas no caso de Glee, para mim, isso tirou a alma do programa. Assistir um ou outro episódio que saia da casinha e viaje com super produções é divertido (eu adoro o capítulo especial da Madonna). Ver isso toda a semana não é.

Agora eu entendo porque “Duets” é o meu episódio favorito desse ano. Pois ele balanceia as histórias, com as músicas, os números grandiosos (como o do Kurt), com os singelos e tocantes (como o da Rachel e do Kurt). Isso que eu nem falei da maravilha que foi Santana e Mercedes destruindo em uma apresentação que não precisou nada além de uma banda e da presença das duas.

Roteiros fracos, clichês e falta de coesão eu aguento. Falta de coração, aparentemente, não.

PS: Como eu não sou masoquista, resolvi não citar as milhares de coisas que eu odeio nessa segunda temporada e na série. Mas, pelo texto já dá para imaginar que eu não sou a maior fã de histórias que envolvem um after school special a cada dois episódios. Quando Glee não se leva a sério, até dá para aguentar o absurdo, mas eu não consigo ignorar as falhas quando eles querem dar lição de moral.

PS²: Sim, eu sei que esse é o post mais mimimi, cuticuti e clichê que eu já escrevi. Vai dizer que tem alguma coisa que combina mais com Glee?

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Blair x Serena

In Cinema, Séries on novembro 11, 2010 at 11:33 pm

Gossip Girl é meu guilty pleasure. Eu sei que não é a coisa mais interessante da face da Terra, mas, como eu não preciso apenas de roteiros do nível Mad Men para ser feliz (RomCom Queen o/), continuo assistindo. Não precisa muito para eu ver um filme ou programa: um bom figurino, uma briguinha divertida, um roteiro eventualmente esperto, etc. Tudo isso pode me atrair, mas nada me mantém vidrada nele por tanto tempo como um bom personagem (eu sei, Déjà vu do post “Sobre respostas e personagens (ou Lost e Fringe)”).

Gossip Girl tem esse personagem e ele se chama Blair Waldorf. Apesar de a série ter nascido com Serena como a protagonista e Blair como a antagonista, rapidamente os roteiristas perceberam que o personagem mais rico do programa não era a parte loira da dupla. Blair, com suas falhas, planos malucos, egoísmo e criancices, é muito mais interessante e divertida. Não tem como não se deliciar com a mistura entre os planos infantis, as tiradas sensacionais e a vulnerabilidade da Queen B. Isso sem falar do guarda-roupa!

Essa “superioridade” de Blair sobre Serena tem vários motivos, mas sempre tive a impressão que a diferença entre Leighton Meester e Blake Lively era o maior deles. Meester é, de longe, a melhor atriz da série. Muito melhor que Ed Westwick, que muitos consideram tão bom quanto ela, o que acho uma falácia, Penn Badgley, que até é descente, mas só isso, e Chace Crawford, esse não precisa nem comentar. Tudo bem, se ela fosse melhor que todo o elenco masculino, o problema não seria tão grande.  A questão é que ela é dez vezes melhor do que a sua melhor amiga na série e rouba todas as cenas. Lively não conseguiria chegar ao nível de Meester nem que a vida dela dependesse disso.

Falei tudo isso para dizer que eu não entendo como os últimos filmes que eu assisti com a Leighton foram os medíocres Date NightGoing the Distance e o da Blake foi o ótimo The Town. Como pode a atriz mais interessante, que poderia estar recebendo até alguma atenção das premiações se não estivesse em uma emissora pequena e em uma série adolescente, ficar presa em filmecos e a atriz mediana participa de um baita filme? O pior de tudo é que a atuação da Lively em The Town não me convenceu nem um pouco, o que me deixou ainda mais chocada com a escalação dela.

Aparentemente, os executivos dos estúdios e diretores não compartilham comigo essa opinião negativa. A loira já está escalada para um dos prováveis blockbusters de 2011, Green Lantern, ao lado de Ryan Reynolds. Se serve de algum consolo, Meester também tem uma estreia interessante em 2011, o filme The Oranges, com Hugh Laurie,Catherine Keener, Adam Brody e Allison Janney. Além disso, em 2010, chega aos cinemas o filme Country Song, em que ela contracena com Gwyneth Paltrow. A história me deixou com um pé atrás, mas vou dar um voto de confiança para a Waldorf. No final das contas, provavelmente, farei o mesmo com Van Der Woodsen, e assistirei Green Lantern. Vai que ela me surpreende?