Jeniffer Caetano

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Sobre respostas e personagens (ou Lost e Fringe)

In Cinema, Séries on setembro 25, 2010 at 10:53 pm

Tenho uma péssima mania: não consigo não ler os comentários em fóruns das minhas séries favoritas. É um vício lamentável, porque, na maior parte das vezes, isso só serve para me irritar.

Mas, nessa semana, os fóruns tiveram uma serventia interessante para mim. Ao ler os comentários da crítica do Ken Tucker, da EW, sobre Fringe li um post que me fez ter certeza que uma antiga teoria minha sobre Lost estava mesmo correta. O escritor falava que Fringe estava fazendo tantas perguntas que ia acabar que nem Lost, sem responder elas direito.

Parei para pensar e percebi que isso realmente pode acontecer. Fringe já levantou um número imenso de questões e, a cada dia que passa, elas aparecem em maior número. Sinceramente, ainda acho que Lost era muitooooo pior nesse sentido, mas aceito a comparação do cidadão. Mesmo assim, não estou nem aí!

Eu gosto das loucuras de Fringe, mas me importo mesmo com os personagens. Tenho mais interesse em saber sobre o que vai acontecer com a “nossa” Olivia, com o Peter, com o Walter e até com os personagens de Over There, do que sobre a mitologia da série. Não vou me importar se eles não conseguirem amarrar tudo com um laço vermelho.

Nunca gostei de Lost (pronto, falei). Sempre achei que isso aconteceu, pois não consegui me identificar e me apaixonar pelos personagens. A comparação entre as duas séries deixou ainda mais claro que esse realmente era o problema. Enquanto nunca tive paciência para uma a outra me conquistou. Não duvido que aquela montoeira de gente que habitava a ilha mais louca do pedaço (sessão da tarde feelings) fosse muito mais interessante do que meu trio. Mas eu gosto deles e tem gosto para tudo nessa vida (prova disso é que tem gente que torce para o Grêmio e o Corinthians).

Isso me lembrou de uma conversa que tive com a Fer (aka @_misfit) sobre a besteira que é assistir uma série só para ter respostas. Fã roxa de Lost, ela estava reclamando dos fãs pentelhos que tiveram um surto psicótico no final da série, pois os escritores resolveram não entregar um gabarito para as perguntas levantadas nas seis temporadas do programa. Ao invés disso, eles fecharam a história dos personagens e quem gostava da série de verdade se debulhou em lágrimas e ficou feliz da vida.

Eu vou ficar feliz que nem pinto em lixo se a Fringe acabar fechando bem suas histórias e deixando uma meia dúzia de dúvidas sem resposta. Quem espera apenas respostas tem mais é que terminar sem resposta nenhuma porque não soube curtir a série com deveria. Quer resposta, vai assistir “A Origem”.

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Fringe – “Olivia” (3×01)

In Séries on setembro 24, 2010 at 11:22 pm

Fringe entregou a melhor season premiere da nova temporada e provou mais uma vez que o crescimento que começou na temporada passada não vai parar tão cedo. Nem lembra mais aquela série mais ou menos feita à base do “monstro da semana” que começou em 2008. Foi tudo tão bom que eu nem senti falta do Peter e do Walter (aka “o melhor personagem da série”).

Claro, isso não seria possível se não fosse a força de Olivia e sua intérprete. Anna Torv deu um destruiu e mandou lembranças aos críticos e pentelhos que sempre acharam que ela era uma bosta de atriz. Posso bater no peito e dizer que eu sempre achei que ela não era tão ruim assim, mas tinha um material bem menos rico do que o do fabuloso John Noble, por exemplo. Foi só dar uma chance para a moça que ela entregou uma atuação de respeito.

A diva voltou?

In Cinema on setembro 22, 2010 at 1:48 pm

Eu sei que estou uma semana atrasada nesse post, mas eu não podia deixar de comentar as ótimas críticas que “Rabbit Hole” teve em Toronto. Fico feliz pelo filme e coisa e tal, mas o que me chamou a atenção foram as reações a atuação de Nicole Kidman. A atriz vinha de uma série de filmes medíocres (que já havia sido quebrada pelo subestimado Margot e o Casamento) e parece que, finalmente, conseguiu voltar ao posto de queridinha da imprensa especializada. Como fã que sou, Moulin Rouge e The Others são dois marcos na minha vida cinéfila  (principalmente o primeiro), já torço loucamente para que o sucesso tenha voltado a bater a porta da diva e espero ver ela arrasando no tapete vermelho na temporada de prêmios desse ano.

Algumas críticas

·  Seattle Times – “ Kidman, in particular, redeems herself after a string of disappointing movies in the last few years. Watch for Oscar buzz for her in this role, as soon as this movie gets picked up for distribution.”

·  Hollywood Reporter – “ Kidman grabs the central focus of the story as the more distraught of the two. The performance is riveting because she essentially plays the entire film at two levels, the surface everyday life and then what is turning over and over again in her mind.”

·  Rope of Silicon – “It’s been a while since Nicole Kidman actually impressed me in a movie and she’s never been a particular favorite of mine, but here she is a stunner. Kidman gives a real and honest performance and as a result Eckhart’s performance pales in comparison. Dianne Wiest also gives an impressive performance as Kidman’s occasionally naive, yet sympathetic mother, making both Kidman and Wiest serious lead and supporting Oscar contenders.”

· The Playlist – “Of course, this wouldn’t be possible if he didn’t get two ace performances out of Kidman and Eckhart. While Kidman is in typically fine form, Eckhart is a standout, juggling quite a few different emotional markers for his character with tremendous insight.”

·  Cinema Blend – “Kidman is the true standout here, outmatching Eckhart scene-by-scene to the point that it’s almost a problem, but Wiest is also terrific in her quiet but key role.”

PS: Já aviso, comentários sobre os litros de botox que ela colocou na cara não serão bloqueados, mas receberão uma resposta desaforada.

Com Amor,

Jeniffer Remião Caetano.

A bola na tela

In Cinema, Esporte, Futebol, Séries on setembro 15, 2010 at 2:25 am

Filmes com o esporte como tema são bastante comuns. Não é muito difícil transformar uma competição em uma história de superação e/ou união e/ou reconstrução. Mesmo assim, até hoje, não assisti um filme de futebol que consiga fluir com naturalidade e deixar uma boa imagem. Enquanto futebol americano, basquete, rugby e até tênis já foram capturados com algum sucesso no cinema o futebol continua meio a margem. (talvez, a única exceção seja o filme “Linha de Passe”, do Walter Salles e da Daniela Thomas, mas o filme é menos sobre futebol e mais sobre a história da família em si. Mesmo assim, tem cenas muito bonitas, principalmente, as no meio da torcida do Corinthians (eu culpo o talento do Salles e da Thomas e não a torcida desse timinho).)

Por que isso acontece? O futebol é um jogo corrido demais e acontece em um espaço imenso. É muito complicado filmar tanta gente correndo em um espaço tão grande. Além disso, é muito mais difícil fingir saber controlar uma bola com o pé do que com a mão. O que eu quero dizer com isso? É mais fácil fazer um lançamento perfeito de 1 zilhão de jardas fake do que driblar de mentira o time inteiro com uma bola nos pés.  Sempre que assisto a algum filme sobre o esporte, tenho a sensação que o craque do time e, normalmente, mocinho do filme tem a mesma ginga que um cabeça-de-área do Íbis.

Por isso, estou tão ansiosa para ver a série que a HBO produzirá sobre o futebol. Quero ver como uma produtora do calibre e qualidade da HBO vai abordar o tema. Se der errado, vai ser mais uma tentativa frustrada de abordar o tema. Se der certo, vai ser um marco (pelo menos para mim).

Um jogo de animais

In Esporte on setembro 10, 2010 at 12:22 am

Esporte de animais. Um bando de cara se batendo. Jogo sem nexo.

Já ouvi tudo o que é tipo de coisa sobre futebol americano.

Entendo totalmente quem não gosta, mas essas afirmativas estão muito longe da verdade (talvez a primeira, nem tanto =D).

O futebol americano é um dos esportes mais estratégicos, viscerais e emocionantes que eu já vi. Por trás de tanta porrada e correria, estão jogadas pensadas a exaustão, treinadas inúmeras vezes e, muitas vezes, totalmente inesperadas e ousadas.

Comecei a assistir o esporte há alguns anos atrás e virei uma fã incondicional. Com certeza, os jogos da NFL estão entre as coisas mais emocionantes do meu ano esportivo. Nunca vou me esquecer da final de 2008 / 2009 que assisti de pé ao lado do meu irmão pulando como se fosse torcedora do Cardinals no touchdown do Fitzgerald. Ver o Saints vencer Superbowl apenas cinco anos depois que o furacão Katrina destruiu  New Orleans me emocionou como uma vitória do Inter.

Por isso, estou tão empolgada com a volta da NFL hoje à noite.

Você pode não entender o que é um quarterback, um running back, um tight-end, um wide-receiver ou um kicker. Mesmo assim, você deve entender emoção. Isso, o football tem de sobra.

NFL, welcome back!!

Marie Antoinette, Sofia Coppola e Veruca Salt

In Cinema on setembro 6, 2010 at 6:52 pm

“Sofia Coppola is the Veruca Salt of American filmmakers. She’s the privileged little girl in Charlie and the Chocolate Factory whose father, a nut tycoon, makes sure his daughter wins a golden ticket to the Willie Wonka factory by buying up countless Wonka bars, which his workers methodically unwrap till they find the prize.”
Dana Stevens – Slate

Assim começa a crítica da Dana Stevens para a Slate (www.slate.com) sobre Marie Antoinette (2006). Sim, o texto era para ser uma crítica ao filme, mas passa a maior parte do tempo espinafrando a diretora. No entanto, esse “ódio” parece ter menos ligação com o trabalho de Coppola em seu terceiro filme e mais com o fato dela ser filha de um dos mais famosos diretores americanos dos últimos anos.

Muitas críticas que eu já li sobre os filmes de Coppola ressaltam as similaridades entre seus filmes. Todas as películas contam histórias de pessoas presas em um mundo aparentemente perfeito. Os haters a acusam de contar a história da sua vida repetidamente, a pobre menina rica que cresceu entre os manda-chuvas de Hollywood.

E daí? Sinceramente, apesar de ver a semelhança entre os temas, não consigo achar os três filmes de Sofia tão idênticos assim. Cada um deles tem um ritmo diferente e me tocaram de forma muito particular. Mesmo assim, não vejo a menor importância nela escrever histórias parecidas, se continuar apresentando a mesma qualidade que conseguiu em The Virgin Suicides (1999), Lost in Translation (2003) e Marie Antoinette (2006).

Voltando a Marie Antoinette, ao ler as críticas ao filme percebi que grande parte reclama da falta de espaço para a política. Por favor, quem quer saber mais sobre a influência política da rainha que vá ler um livro ou assistir um dos três mil outros filmes sobre o assunto. Aqui, Sofia fala sobre as dificuldades de crescer sozinha, em um ambiente estranho e reprimido. Isso tudo com uma trilha estupenda, vestidos maravilhosos, festas e extravagância culinária. Completamente dentro do estilo da diretora.

Seu próximo filme, Somewhere (2010), foi lançado nesse final de semana em Veneza e teve, assim como Marie Antoinette, uma recepção dividida. Eu, que sou apaixonada por Phoenix e devo ter sido uma pobre menina rica em outra vida, não vou vejo à hora de assistir!

A melhor notícia da tarde (Inter 2 x 0 Grêmio Prudente)

In Esporte, Futebol on setembro 6, 2010 at 1:02 am

(Foto: Fernando Gomes – Clicrbs)

O Inter venceu, levou três pontos e pode ficar a apenas quatro pontos do Fluminense se vencer a partida atrasada contra o Santos.

Leandro Damião, em quem eu ainda não acredito muito, voltou a marcar e Sobis, em quem eu levo fé sempre, também.

Mas a grande notícia da tarde é Kléber. O lateral-esquerdo participou dos dois gols e de outras tantas jogadas. Decisivo, assim como nas finais da Libertadores. Kléber renovou contrato até 2013 com o Inter. A melhor notícia da tarde.

Fringe – 1ª e 2ª temporadas

In Séries on setembro 6, 2010 at 12:25 am


Nos primeiros episódios, parece ser um procedural que puxa para o sci-fi.

A temporada melhora no final, mas é no segundo ano que a série ganha força.

O desenvolvimento das tramas consegue ligar os mistérios sobrenaturais com a história dos personagens muito bem. Fringe deixa de ser mais um procedural e ganha profundidade.

Confesso que uma série precisa mais do que tramas científicas bem boladas para que eu tenha alguma vontade de assisti-la (aliás, muitas vezes assisto séries fraquinhas por um bom ator ou personagem). Fringe consegue isso.

Por mais que o povo implique com Anna Torv e Joshua Jackson, o trio que eles formam ao lado do esplêndido John Noble é importantíssimos para isso.

Assisti os últimos oito episódios em dois dias. Prova do ritmo que o programa ganha com o passar do tempo. A season finale de duas horas é uma das melhores da temporada 2009/2010 e traz os três protagonistas (principalmente Torv e Noble) na sua melhor forma.

Quando alguém fala de JJ Abrams todo mundo lembra de Lost. Como sou do contra, eu lembro de Alias e Fringe.